
Como minha formação é em física, imediatamente me lembrei do caso de Marie Curie (1867-1934), que emigrou da Polônia para Paris em 1891 e ali se tornou uma física respeitada na área da radioatividade, a ponto de ter sido a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel (1903) e a primeira pessoa a ganhar dois (outro em 1911, de Química). Na imagem ao lado, um detalhe da foto do Quinto Congresso de Solvay, de física, ela pode ser vista sentada conversando com o maior matemático de sua época, Henri Poincaré, observados por Albert Einstein de pé na extremidade direita.
Naturalmente, ser reconhecida pelo futuro afora é privilégio dos grandes feitos, e não de trajetórias interrompidas. Mileva Maric (1875-1948) é lembrada como a primeira esposa de Einstein, mas foi também uma das primeiras mulheres a estudar física e matemática na Europa. Foi uma aluna brilhante; nos exames intermediários do curso na Universidade Politécnica de Zurique, tirou a mesma nota em física que Einstein, então seu colega de classe (5,5 - a nota máxima era 6,0). No entanto, acabou tendo que substituir a pesquisa pela vida conjugal, cuidando dos filhos, e interrompeu sua carreira. O que não lhe garantiu boa sorte: foi abandonada por Einstein, que foi morar com sua prima Elza Löwenthal.
Em 1943, apenas duas pessoas se formaram ana USP - César Lattes, considerado o maior físico brasileiro, e uma moça chamada Sonja Ashauer. Sonja também teve carreira muito promissora, tendo sido a primeira mulher brasileira a conseguir o Ph.D. em Cambridge, orientada por Paul Dirac, um dos maiores físicos do século XX (mais conhecido por ter formulado o conceito de antimateria, mas também por ter feito a primeira teoria quântico-relativística).
Conviveu com o time que fundou a pesquisa em física no Brasil, como Gleb Wataghin (considerado o pai da física brasileira), César Lattes e José Leite Lopes, e é lembrada com carinho e admiração por esses cientistas. Porém, faleceu súbita e prematuramente meses depois de conseguir o título. Hoje, é uma personagem amplamente desconhecida dos brasileiros. Algo sobre ela aparece neste site da revista ComCiência (use a barra de rolagem).
Sobre as trajetórias daquelas que conseguiram seu lugar no mundo masculino, aparecem boas referências com uma pesquisa no Google por "mulheres na ciência".
